segunda-feira, 5 de abril de 2010

Capítulo 2 - Nothing Else Matters

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Nothing Else Matters 

Mil coisas passaram pela cabeça de Vivi. Milhares de pensamentos. Um deles infinitamente melhor e mais assustador do que todos os outros, porque... Não era para Vivi estar gostando tanto da idéia: "Será que Marcela estava a fim dela?"

A ruiva ficou quieta, sem saber o que falar. Evitou olhar para Marcela, com medo que pudesse, nessa simples troca de olhar, se entregar.

Virou a latinha de cerveja de uma só vez. Marcela a olhou estranhando, e depois riu, divertida.

Vivi teve a impressão que Marcela ia falar alguma coisa, mas Carlinha apareceu dançando, e dizendo:

- Toma isso, tá divino!

Depois de colocar um copo cheio de Caipirinha na mão de Vivi, a amiga sumiu novamente.

Vivi provou a bebida. Estava fortíssima, desceu queimando pela garganta, o que foi estranhamente reconfortante.

- Quer provar? - perguntou pra Marcela, que continuava a olhar para ela num misto de diversão e  surpresa.

- Não, obrigada. Eu não sabia que você bebia, Vivi. Aliás, acho melhor você não misturar.

- E por que não?

A frase soou um pouco agressiva, e Vivi aproveitou para dar um bom gole, em desafio. Não sabia porque, mas estava irritada com Marcela.

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou.

Com a resposta de Marcela, a exasperação de Vivi só aumentou. Deu mais três goles, fingindo que olhava para as pessoas da festa, mas no fundo o que queria saber mesmo era se Marcela estava olhando para ela.

A essa altura, já estava ficando um pouco tonta. Sempre tinha sido fraca para bebida, bastavam dois chopes para ficar colocada. E aquela Caipirinha estava um perigo!

Com certeza foi por isso - só por isso - que olhou bem para Marcela, e soltou a pergunta que não queria calar:

- Quem tá a fim de mim?

Marcela demorou a responder? Para Vivi pareceu que ficou uma eternidade olhando firme, ou melhor... Tentando fixar o olhar em Marcela antes da resposta:

- O Guilherme.

 Vivi deixou escapar : 

- Guilherme? Quem diabos é Guilherme?

- Aquele ali. - Marcela respondeu apontando para um cara bem bonito por sinal, que acenou antes de se aproximar sorrindo.

Marcela se levantou bem na hora em que o tal carinha chegou e parou na frente de Vivi.

- Guilherme, Vivi. Vivi, Guilherme – apresentou e saiu fora rapidamente.

O carinha, coitado, ficou sorrindo um sorriso bobo, parecia – e provavelmente já estava - meio alto.

Vivi passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás, tentando ganhar tempo. Com muita vontade de matar Marcela.

Foi quando viu o par de olhos negros do outro lado da sala observando-a atentamente. “Ah, é assim? Então tudo bem!”

Movida pela raiva, deu o maior beijo na boca do tal do Guilherme, que retribuiu puxando Vivi pra sentar no colo dele no sofá.

Imediatamente se arrependeu. Achando a coisa toda fora do controle demais. Não tinha nada a ver ficar sentada no colo de um cara que nem conhecia só porque... Por que mesmo?

Não tinha mesmo nenhuma razão ou sentido palpáveis.

Sem se importar com o que o tal Guilherme ia pensar, Vivi levantou quase de um salto e saiu de perto dele o mais rápido possível.

- Caramba, Vivi, o que foi que deu em você? - disse uma Carlinha toda suada de tanto dançar - O cara era muito gato!

Mas a única preocupação da ruiva era:

- Viu a Marcela?

Ao constatar que ela não estava mais em nenhum lugar da sala...

- Ih, a Marcela foi pro quarto dela, disse que tava com dor de cabeça. Olha só: me pediram pra levar esse brownie pra ela, você leva?

Sem esperar a resposta, Carlinha depositou o brownie na mão de Vivi e se afastou dançando.
Vivi não hesitou. Nem por um momento. Entrou no corredor escuro com o coração batendo forte no peito.

***

A porta do quarto estava entreaberta. Pela fresta da porta, Vivi observou Marcela deitada na cama. Os olhos fechados, a luz fraca do abajur dando ao rosto dela um toque quase mágico de tão belo...

Ficou ali parada, estática, olhando boquiaberta. Ao som da música que preencheu o espaço entre elas. “Nothing Else Matters” (Metallica)

Como se sentisse a presença de Vivi, Marcela abriu os olhos. E quando a viu, abriu o mais lindo de todos os sorrisos...

- Entra. Encosta a porta.

Vivi fez mais do que ela pediu. Não só fechou como trancou a porta. O coração não batia, martelava...

Sentou na beira da cama e Marcela pousou a mão na coxa dela com uma intimidade tão natural quanto foi para Vivi dar o brownie para Marcela na boca.

Quando terminou de comer, Marcela limpou os dedos de Vivi lambendo-os de uma forma absolutamente sensual. Vivi estremeceu, e Marcela percebeu, porque a olhou diferente. Profundamente.

Quando os olhos se encontraram, os de Vivi continham um apelo mudo, indiscutível. Os de Marcela continuavam indecifráveis, como tudo nela. Unindo-os, apenas um entendimento mudo. Reconheciam-se.

Então, Marcela a puxou com inegável gentileza, e quando as bocas se tocaram pela primeira vez, para Vivi foi como se o mundo mudasse... Com aquele beijo diferente de todos os outros...

E aquele primeiro beijo foi, sem dúvida, o momento de prazer mais intenso de toda a vida de Vivi. Uma vontade que chegava a doer, e que ela nem sabia que existia...

A textura da pele de Marcela, o cheiro, o piercing na língua... Nunca tinha sentido nada parecido...

Devagar, com uma lentidão intensa e deliberada que deixou Vivi ofegante e trêmula, Marcela a despiu, peça por peça.

As mãos e os lábios experientes percorrendo o corpo inteiro da ruiva de uma forma quase angustiante.

Vivi, por outro lado, arrancou as roupas de Marcela o mais rápido que pôde, ansiosa demais para ser delicada como ela.

Tocando-a, beijando-a com uma voracidade puramente instintiva. Com falta de ar, quase sufocando de tanto desejo...

- Calma... - Marcela sussurrou no ouvido de Vivi antes de beijá-la novamente.

Mas Vivi era pura pressa. Com os braços ao redor do pescoço de Marcela, gemendo alto sem perceber...

Suspirando, implorando, oferecendo... Contaminando Marcela com a urgência que tomava conta dela...

Apossou-se de Vivi com total consentimento. Saboreando, incitando, surpreendendo... A delicadeza torturante da boca nos seios, a maciez das mãos femininas desvendando intensamente, acariciando o corpo de Vivi inteiro...

Abrindo, mostrando que entre elas nada era segredo... Tocando entre as coxas, enfiando os dedos como se revelasse a alma profundamente...
  
Quase desfaleceu quando a boca de Marcela desceu e mergulhou, até Vivi se contorcer desnorteada e gritar o nome dela no gozo que veio intenso...      

E então, Marcela já estava em cima de Vivi, esfregando pele na pele, sentindo e causando matizes de prazer idênticas...
Mas Vivi precisava de mais para ficar satisfeita. Empurrou-a, trocando de posição. E então pode procurar, encontrar, trilhar seu caminho no corpo maravilhoso de Marcela.

Com um prazer profundo, latente, Vivi saboreou a pele quase vampiresca de tão branca... Suave, macia e quente... Tão quente que chegava a queimar... Deliciada em fazê-la gemer e se contorcer, explorou aquele calor por inteiro... A boca, a língua, os dedos parecendo pouco para o tamanho do próprio desejo... Parou no interior das coxas. Experimentando a textura, o cheiro...

As mãos de Marcela a puxaram, enfiaram-se nos cabelos ruivos, mas Vivi ainda continuou apenas beijando, lambendo, provocando... Sentindo-a por um bom tempo.

E então, quando finalmente encostou a boca e provou o gosto dela, fechou os olhos e se deixou levar pela deliciosa sensação de tontura, loucura, desterro...

Como um redemoinho arrebatador, extraordinário, delirante... Sugada por um magnífico buraco negro... Mergulhada num fascínio deslumbrante, que a levou a ver, tocar e experimentar estrelas...

Suspirando e gemendo, se entregou ao abismo de sensações surpreendentes deliberadamente sem medo.


AMOR A QUALQUER PREÇO

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7 comentários:

  1. Oi Diedra...esse foi o primeiro de seus contos que pretendo ler. Bem que me disseram que suas cenas de sexo eram de tirar o fôlego.
    Muito bom!

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  2. Oi Maira!
    Td bem?
    Já leu todo? O que achou?
    bj gde!

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  3. Olá Diedra, terceira vez que leio o conto e esse capítulo é minha cena favorita! Parabéns!

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  4. Olá Diedra, essa é a terceira vez que leio o seu conto e essa é a minha cena favorita!! Parabéns! Bjss

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  5. Acho q eu ja perdi as contas de quantas vezes ja li rsrsrs.
    Essa estoria foi a 1 que eu li e me apaixoneiiii, parabens pelo trabalho maravilhoso..
    E que venham muitooos por aii rsrs.. Bjs de uma super fã sua :)

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  6. Nossa! Ler o conto ao som de Metallica fez meu coração quase saltar pela boca na hora do bjo. Amo demais a banda e seus contos.

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  7. Diedra... Diedra... Depois te enviarei um poema.

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